Cursos Online é Cursos 24 Horas
Um cara chamado Jeffrey postou isso em 26 de julho de 2001, em local chamado Hotel Lounge. Um post solitário, rodeado de mistério. Jeffrey começou bem, terminou rápido, mas sinceramente, teve o dever cumprido. E com a simplicidade de um link, eu imortalizo Jeffrey.

Ele olhou para baixo e não viu nada. Era como se nada se tivesse passado, embora repetido infinitas vezes na sua cabeça. Voltava e voltava a acontecer… insistentemente, e, numa amálgama de culpa e mágoa, persistentemente, voltava àquele lugar maldito, onde tantas vezes foi homem, Deus, superior, maior… onde se auto declarou o verdadeiro dono da sua existência. Era o seu lugar de libertação, e ao mesmo tempo, o sitio onde, para sempre, vendeu o seu ser, o seu Eu promiscúo, tudo o que tinha e que podia dar. À frente, uma falésia. O mar bate insistentemente nas rochas, dando ao ar um pouco de frescura humida, donando parte de si aos outros seres, numa partilha incondicional e desinteressada. O vento passa levemente, uma brisa apenas, que dá o tom da dança à relva esperançosa. E ela baila com alegria, e sorri, e espelha o tom das estrelas que brilham, unidas, num unissono de paz. As horas passam, as folhas deixam de ser verdes e são pretas, o mar ao fundo é negro, adornado de ! branco ocasionalmente em explosões inconsequentes de raiva. David levanta-se pela segunda vez da capota do carro, onde esteve sentado durante as ultimas horas, fumando até à exaustão o ultimo cigarro. Abre a caixa vermelha de Marlboro e suspira na inexistência de um ultimo animo. Aproxima-se mais uma vez do penhasco. Olha para baixo. A lua oferece-se aos prazeres do oceano, oferece-se, e recebe um narcistico reflexo, e assim se compreendem os limites do universo, os opostos. Fundem-se, e são um só. Aperta contra si o casaco de cabedal, mete as mãos nos bolsos dos jeans e sente a sua resistência ao vento. Encosta-se ao velho Cadillac vermelho, olha uma ultima vez o lugar, as árvores circundantes, quais opressores (ódio?), o oceano na sua divinidade excêntrica, os espiritos inquietos que circundam todo o cenário e abre a porta do carro. Entra, liga o rádio. Ainda está dentro do leitor uma cassete de Joana, alguma coisa antiga. Carrega drasticamente no eject, agarra nela e lança-! a às garras maritimas. “splash” Arranca em direcção descendente, na direcção contrária à lua simulada, pela estrada de terra, deixando atrás de si um rasto de pneu, areia no ar e orgulho ferido.